"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine." (I Coríntios 13:01)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Seu Querubim em Seu Jardim


Saio cedo
Vou sem medo
Corto caminho pelo seu jardim

Vivo longe sob a ponte
Dos desejos de ter-te pra mim

A vida passa e eu pego uma taça
Paguem uma bebida pra mim
Que eu hoje estou forte
Bebo várias doses
Eu quero é me redimir

E me embriago depois mais um trago
Esqueço das noites sem fim

Vou viajar no teu gosto
Num porre o seu rosto
Flutuando como um querubim

Vou conhecer outros mundos distantes
Mas quero mesmo é te ter aqui

E eu vou sem medo
Buscar os teus beijos
Passando pelo seu jardim

Bato na sua porta
Madrugada a fora
Encontro um vazio infeliz

Mas não vou embora
Vou viver agora
Sonhando o seu beijo
Seu cheiro, seu gosto,
Seu corpo candente

Pra sempre em mim
Sou seu querubim
Nua em seu jardim

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Noites Longas


Noites longas, noites claras
E o pensamento em lhe ter
Fecho os olhos, não adormeço,
Num tormento a te querer
Noites luas a te esperar
Quantas mais hei de contar
Almejando um embate
Sonhando em te encontrar
Noites frias, nebulosas
A solidão a me abater
Desejando o teu calor
Junto ao meu a me aquecer
Noites mudas tão vazias
Calam-se as juras de amor
Sem olhares complacentes
Entorpecida em dissabor
Estendem-se as horas
Madrugada a fora
Medos e desejos
Delírios do prazer
Findam-se com alvorada
Das noites longas
Das noites claras
Quotidiano sobreviver
Pra tão logo anoitecer
E voltar a padecer

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Banquinho Branquinho



Naquela esquina foi-se à tarde
Chega noite novamente
Num espetáculo do sol poente
Tantos Sóis se assentarão
Fez-se tenebroso o jardim no escuro
Apagam-se antulhos, gérbrias, rosas, lírios...
Sob as costas do assento de cimento frio
Tantas estórias contariam e contrariam
Era antes tão abrupto e único
Era assim, todinho feito à mão
Onde passaram vidas em vidas
Que se contam e se perdem no coração.
Sentaram-se no banquinho todo branquinho
Feito das madeiras, sobras do portão.
Onde se fez apoio nos primeiros passos sóbrios
Porvindouros sonhos esperançosos
Dos pequenos prósperos passos longos
Do apoio ao abraço d’outro lado.
Onde se fez alegrias sob brilho do astro rei
Fulgor gris dos cabelos de senhoras senis.
Onde se fez os sorrisos de meninas sem leis
Que deliram livres com suas bonecas de lírios.
Onde se fez a embriagues de ancião
Cantarolando hinos a lembrar
Com doses longas das caninhas a inebriar
E dos hinos os desatinos poesias a formar.
Onde se fez carícias escondidas
Beijos de tantos amados a compartilhar
O namorico dos jovens cheios de paixão
Que em juras, juram amor eterno, quanta ilusão.
Onde se fez estudo, do menino de futuro,
Que decora textos tão profundos
Resumidos na palma da mão.
Onde se fez cantinho pra despertar
Cafezinho com pão quente desjejuar
Vai aquecendo velhos ossos fadigados
No sol tímido, típico de inverno
Fome de noite longa a saciar
Onde se fez repouso dos tantos felinos
Pequenos bichos dos pelos tenros e compridos
Ronronam, enroscam nas pernas decrépitas,
Vão por debaixo das saias brincando de caçar
Pulam ágeis nos pardais famintos
Que devoram farelos do pão
Torrados com manteiga no fogão
Voam pardais...
Voam o tempo...
Voa a saudade do que não volta mais
Marcando minh’alma, era de meninice.
Que ficou naquele quintal tão longínquo
O banquinho ficou vazio, ficou mudo
Mudou tudo como tudo muda no mundo
E aquele banquinho tão branquinho
Perpetuou minha inspiração
Que jaz em minha imaginação

Outra Dose


Ainda é noite e Deus ajuda
A quem sempre cedo madruga
Velho levanta para luta
Veste vestes tão imunda
No vizinho o galo canta
Despertando a vizinhança
Abre a porta lá dos fundos
Procurando o que tomar
Um pequeno barril diz tudo
Do que precisa pra despertar
Toma doses e se esquenta
Para poder trabalhar
Pro quintal vai fazer roça
Que logo vai clarear
Vai colhendo as hortaliças
Pra feira negociar
Passa o dia vai pro almoço
Que dona foi preparar
Com o que sobrou do esforço
Folhas verdes a devorar
E depois mais uma dose
Pro almoço completar
Corre pro segundo emprego
Pra sua carteira assinar
Rala tanto o dia inteiro
Que seus pés vão calejar
Volta logo já ta tarde
Hora de o pé descansar
Mas antes outra dose
Para poder relaxar

sábado, 22 de maio de 2010

Pátria Dos Pés Descalços

Menino dos pés descalços
Na fina areia da praia
Corre solto pelos cantos
Brinca, plua, dança, canta
Se diverte
Se espanta
A noite chega
Por do sol encanta
Nesse pique esconde some
Nas lindas águas do horizonte
Menino brinca não se importa
Não tem quem possa preocupar
Dorme ali mesmo na areia
Fina, branca, faz sonhar
Sonha menino sua hora vai chegar
Menino cresce rapaz se torna
Marginal de rua não é mais criança agora
Rouba, mata pelas drogas
Troca sua fina areia de praia
Por arma
Que fere
Que sangra
Que mata
Foi-se embora aquele menino
Que inferno a vida encaminhou
Pelo tráfico,
Pela dor
Pobre menino não conhece o amor
Navio negreiro é camburão
Vai menino sofrer solidão
Vai sonhar seus sonhos falsos
Vai pelo Brasil dos sem destino
Vai Pela pátria dos pés descalços

(Letra de Música)

domingo, 25 de abril de 2010

Poeta Onofre Dubois

Hoje farei uma homenagem a minha nobre genética poética... Ao meu querido e saudoso avô Onofre Dubois. Escritor e compositor, este nobre senhor que hoje descança ao lado de Deus, se eternizou com as palavras que sobreviverá anos, décadas, secúlos nos corações dos seus famíliares, amigos e madalenenses... E em homenagem, apresentarei no Sonha & Adora três das muitas obras realizadas por meu querido avô!!! Te amo!!!!

Saudade
Bolero de Onofre Dubois



Uma saudade
Achou meu peito
Para seu ninho
Tal qual como uma pétala
De uma rosa presa ao espinho

O que era flor
Agora é dor
Não tem remédio
Tudo acabou
Tornou minhalma
Imerso em tédio

Eu já chorei
Eu ja resei
Pedi bonança
A tempestade
Por crueldade
Deu-me esperança

Quero viver
Alegre ser
Mas não consigo
Porque a saudade
Por crueldade
vive comigo



A Despedida

Música de
Onofre Dubois
e
Hamilton Rangel


É triste ver partir alquém muito querido
Mas triste é descobrir que se foi esquecido
É flor que fenece o amor sicero e forte
Quem ama nãp esquece seja qual foi a sorte

Agora que é chegado o momento marcado
Pra nossa despedida juremos lealdade
Quardemos amizade
Por toda a nossa vida
E acaso a desventura
Da existência futura não nos deixa em paz
Que seja um doce alívio
Recordar-se o convívio
Que hoje se desfaz.

Prometo e é verdade
Quardar numa saudade
E fostes para mim
O mesmo que tu fará
Não me ouvidarás
Seremos sempre assim
Mas se for esquecido
O tempo assim vivído
Responda por favor:
De que valeu então
Nascer no coração
A chama desse amor


Hino a Santa Maria Madalena

Hino da Igreja Católica de Santa Maria Madalena
(22 de Julho - dia da padroeira)
Onofre Dubois
e
Hamilton Rangel


Maria Madalena
Por cristo redimida,
Excelsa Padroeira
Fanal de nossa vida
Ouvi a nossa prece
Baixai do céu a luz
Que as almas iluminam,
A senda de Jesus.

Que as lágrimas choradas
Em nossas aflições
Orvalho se transforme
Em nossos corações
Das mais belas virtudes
Desabrochando as flores
Extinguindo os pecados
Suavizando as dores

Se cristo ressurecto
Foste a primeira a ver,
Também por vosso amparo
Queremos merecer.
A graça da celeste
Visão da eternidade
Oh! vós que sois exemplo
Da divina Bondade.

Excelsa Padroeira
Dos filhos dessa terra
Guiai ao bom caminho
O infeliz que erra,
Olhai pelos doentes,
Os velhos, as crianças,
Oh! vós que sois a fonte
De nossas esperanças.

domingo, 28 de março de 2010

Um pedaço de papel

Seria a brisa tão suave, que levemente acaricia teu rosto,
Como um beijo que jamais em ti pude dar.
Seria as ondas para banhar, e arrancar-lhe teu suor,
Que comigo levaria para o fundo do mar.
Seria o céu azul junto aos pássaros a voar,
E do alto observaria seus passos, seu olhar.
Seria a lua divina em longas noites frias,
E a ti iluminaria a escuridão a te cercar.
Seria a paisagem singela, vista pela janela,
Que num passeio tu verias, sem nem me contemplar.
Seria uma flor campestre, para arrancar-me da terra,
Para um outro alguém presentear.
Seria a terra que floresce, onde tu pisas sem piedade,
Com um outro amor a passear.
Seria um sonho a meia-noite despertando teus segredos,
Mas tu julgas pesadelo, sem nem me aprofundar.
Seria a chuva em tarde fria,
Que me desprezaria por sua viagem arruinar.
Seria um lago límpido e calmo,
Para levar sua amada e um primeiro beijo roubar.
Seria o nevoeiro da manhã,
Seria o sol sempre a brilhar,
Seria os pássaros a cantar
O campo, um sorriso, um olhar...
Seria o que quisesse,
Algo bem maior que isso
Mas se você me notasse
Tudo possível ei de tornar
Em um pedaço de papel